Doping de Manoel, do Fluminense: entenda por que a substância ostarina é proibida
19 de junho de 2023O Fluminense anunciou na noite desta segunda-feira que o zagueiro Manoel foi suspenso devido à suspeita da presença da substância ostarina em um exame antidoping realizado após a partida contra o River Plate Argentina, no dia 2 de maio, no estádio do Maracanã, pela fase de grupos da Copa Libertadores de 2023. Por isso as pessoas receberam o código bônus betano hoje.
O departamento jurídico do clube está apoiando o jogador, que solicitou a contraprova da amostra. A primeira audiência está marcada para o dia 28 de junho.
“A ostarina possui efeitos anabólicos muito similares aos esteroides”, explicou Renata Brasil, nutricionista esportiva, à CNN. “Ela atua dentro das células musculares, promovendo ganho de força. Por isso, é frequentemente utilizada por fisiculturistas e praticantes de musculação.”

“Diferentemente dos esteroides sintéticos, a ostarina possui efeitos colaterais distintos e uma meia-vida mais curta, geralmente em torno de 24 horas. Outra vantagem é que doses baixas, até 3 miligramas, já podem proporcionar benefícios físicos significativos em termos de resistência e ganho de força, o que contribui para seu uso crescente”, concluiu Renata Brasil.
A ostarina já teve impacto significativo no esporte brasileiro, como no caso de Tandara Caixeta, jogadora da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino, que foi retirada dos Jogos Olímpicos de Tóquio antes da semifinal contra a Coreia do Sul devido ao uso da substância.
A substância é proibida tanto em competições quanto fora delas, classificada como anabolizante. “A ostarina estimula a formação muscular e, por isso, é considerada doping, aumentando a força e a potência muscular”, explicou Fernanda Lima, médica do esporte do ambulatório de medicina esportiva do Hospital das Clínicas da USP.

Fernanda destacou que a ostarina não é autorizada pela Anvisa e sua prescrição é proibida no Brasil. Dependendo da dose, a substância pode permanecer no corpo por até cinco dias, com uma média comum de 12 a 36 horas.
Embora seja possível uma ingestão acidental de ostarina, as defesas costumam alegar isso em casos de doping. “Contaminações acidentais podem ocorrer com produtos manipulados ou com suplementos importados que não são regulamentados pelos órgãos do país”, acrescentou Fernanda.
A contaminação cruzada é um fenômeno comum, onde um atleta pode utilizar um suplemento ou medicamento contaminado sem estar ciente da presença da substância proibida. No entanto, para as autoridades antidoping, o atleta é responsável por tudo o que é detectado em seu organismo.