Psicologia clínica

Falar sobre o Controle da Ansiedade nos dias de hoje parece ser algo tão básico para o senso comum, mas realmente não é a toa que este tema é tão recorrente e pesquisado no meio científico na área da Saúde Mental.

Os Transtornos de Ansiedade são considerados atualmente um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes. Existem vários tipos de Transtornos de Ansiedade, que incluem o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno do pânico (Síndrome do Pânico), transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de ansiedade social e fobias específicas.

Para as pessoas com Transtorno de Ansiedade, a preocupação crônica e a insegurança constante são avassaladoras, podendo evoluir a ponto de se tornar incapacitante.

Neste artigo trataremos sobre a Ansiedade Patológica com uma atenção especial a um dos seus principais sintomas que é a preocupação crônica. Caracterizada por um pensamento voltado para o futuro, a preocupação crônica impede a possibilidade de viver o “real” do momento presente, somada a sensação permanente de que algo ruim ou catastrófico pode acontecer. Frequentemente expressa por sensações de angústia e sintomas físicos causadores de dor, aflição, medo, fuga de ameaças imaginárias, receios de ataques de pânico, comportamento de evitação e isolamento social, que acabam tornando o mundo mais restrito e difícil de se viver.

Podemos partir do raciocínio de que a mente humana é o ponto de partida para a obtenção da saúde e o pensamento é como se fosse o leme norteador. As pessoas são vítimas de sua própria criação mental, pois nossos mecanismos cognitivos psicológicos são capazes de desencadear desequilíbrios funcionais, provocando enfermidades. Para entender melhor, basta lembrar que o cérebro comanda todo o organismo por mensageiros químicos e desta forma, pode produzir alterações danosas no nosso corpo.

Períodos prolongados de estresse acabam por enfraquecer as funções imunológicas e também endócrinas, essenciais ao bom funcionamento do nosso organismo. Assim, a ansiedade excessiva está diretamente ligada aos níveis elevados de cortisol – o hormônio do estresse – que diminui as respostas imune e deixa o organismo mais suscetíveis a adoecer.

Os preocupados crônicos possuem um padrão de pensamento que dificulta a assimilação cognitiva e provoca a hiperestimulação das áreas cerebrais de processamento do medo e da emoção no cérebro. A consequência, que é o excesso de vigilância, pode resultar em problemas cardiovasculares, o organismo se torna incapaz de lidar adequadamente com o estresse e descompensa. A boa notícia é que há solução e tratamento para isto.

O primeiro passo é o reconhecimento de que a preocupação está passando dos limites, que está trazendo prejuízo na vida diária e admitir que precisa buscar ajuda médica e psicológica. Parece óbvio, mas na prática, grande parte das pessoas relutam para admitir que necessitam de ajuda, negam sua condição de adoecimento e remediam o tratamento, cometendo o equívoco de acreditar que é apenas uma fase passageira. É fato que precisamos também de um toque de ansiedade para nos mobilizar a ação, até mesmo para buscar auxílio profissional. Esta é a ansiedade saudável, que nos coloca em movimento rumo aos nossos objetivos, que nos protege, nos deixa alerta em situações que exigem atenção e que ameace perigo, porém, quando esta ansiedade passa a ser um estado de excitação excessiva e ultrapassa o limite do que consideramos saudável, então torna-se patológico. Como saber o limite entre a ansiedade normal e a patológica? Observe seus sintomas, seu corpo sinalizará. Não hesite e busque ajuda profissional.

O Tratamento para ser efetivo, não deve se limitar apenas a medicalização dos sintomas, afinal, o intuito não é tomar remédio para a vida inteira e nem ficar sofrendo com os efeitos colaterais decorrentes do uso prolongado de medicação.  É necessário buscar a causa do problema para a eliminação efetiva dos sintomas. No processo terapêutico é possível trabalhar para desenvolver os nossos recursos internos e as habilidades para lidar com nossos estados emocionais limitantes rumo a saúde psíquica e ao equilíbrio restaurador. Não se trata de milagres, mas sim de ciência e estudos do funcionamento cerebral. É fato, que dependendo do caso, haverá sim a necessidade do uso prolongado de medicação para que se possa ter condições de fazer o trabalho complementar em psicoterapia. O tratamento médico e o psicoterápico se complementam, é um tratamento integrado.

Na Ansiedade Patológica, sintomas físicos, psíquicos e comportamentais podem surgir sem estímulo específico, como por exemplo irritabilidade, inquietação, insônia, diarréia, dores de cabeça, comportamentos de evitação e sensação de estar perdendo o controle. Cada Transtorno de Ansiedade é resultante da interação entre fatores genéticos e fatores ambientais estressantes. A mente começa a criar fantasias e uma ameaça fictícia é capaz de desencadear toda a bioquímica do estresse.

Podemos aprender a dissipar sentimentos ruins dominando nossas emoções. Este controle das emoções pode ser aprendido, porém, valores e concepções culturais contribuem de fato para moldar a experiência subjetiva das emoções. Sim, a sua saúde mental, a habilidade de controlar emoções e de se auto-conhecer, são pontos cruciais para viver com qualidade de vida, para conseguir manter seu sistema nervoso trabalhando harmonicamente e em sintonia com o restante do seu corpo, como uma bela orquestra sinfônica.

Um dos grandes problemas é que somos muitas vezes onipotentes e achamos que “damos conta do recado” sozinhos, que não temos tempo para “este tipo de coisa”, então vamos adiando e o problema vai se cronificando. Grande erro! O que adianta ser um workaholic, ou seja, um “trabalhólatra”, ou uma dona-de-casa exemplar, pais e filhos impecáveis, quando o dispêndio de energia para o cumprimento destas tarefas por algum motivo está sendo demais para sua saúde? Permita-se parar e se observar, mas se nem isto você consegue fazer, seu prognóstico não será nada bom, pois certamente se você não parar por vontade própria, seu corpo o obrigará a parar e fará isto através da manifestação de doenças. O nosso corpo é tão perfeito que antes de adoecer, ele nos fornece sinais, mas na maioria das vezes nós não estamos abertos a percebê-los ou até mesmo ignoramos os sinais, priorizando outras coisas, sendo que na verdade o nosso bem maior é sem dúvida a nossa saúde. Sem ela, tudo fica mais difícil. Por isto, é melhor “puxar o freio de mão” e se perceber, pois de nada adianta todo o seu esforço para zelar pela sua vida e pelo seu futuro, se você não tiver mais vida e muito menos futuro para zelar.

É possível ser bem sucedido e ter o controle de suas emoções que certamente irão oscilar diante das vicissitudes da vida. A vida é repleta de desafios, de imposição de limites, de cobranças, mas também é bela, generosa e encantadora para quem sabe e consegue desfrutar de seus verdadeiros encantos.

A psicoterapia é um dos caminhos para alcançar esta plenitude e esta habilidade de viver bem de forma saudável e feliz consigo mesma e com os outros. Permita-se, é preciso ter muita coragem para encarar uma terapia, pois é neste momento que defrontaremos com nosso legítimo EU, com nossos medos, inseguranças, com nossos “monstrinhos”, mas é preciso de fato conhecê-los para poder dominá-los e então desfrutar de uma vida com possibilidades de escolhas legítimas, que certamente resultará em mais segurança em si mesmo, elevando sua auto-estima, sua energia e seu poder sobre si, contribuindo naturalmente para o equilíbrio do funcionamento do seu organismo geral, resultando em saúde em todos os sentidos e reverberando felicidade e contentamento de viver.

No Instituto do Atleta (INA) contamos com uma equipe médica e multidisciplinar de primeira linha, qualificada em diversas áreas da Saúde, inclusive em Saúde Mental – Psicologia Clínica, para melhor atendê-lo em suas demandas ao longo de sua jornada. Conte sempre conosco!

Roberta Piovesan – Psicóloga Clínica do INA.

Cuidados Integrativos em Saúde Mental de Orientação Psicanalítica.

Especialização em Neuropsicologia pelo Centro de Estudos de Neurologia Prof.Dr Antônio Branco Lefèvre vinculado a Divisão de Clínica Neurológica do Instituto Central do Hospital das Clínicas – Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Aprimoramento em Psicologia Hospitalar e da Saúde pelo CEEPS.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no print

Deixe um comentário

Categorias